Imprensa – Jamais deixe de falar com os jornalistas

Observando a cena brasileira dos últimos tempos, noto que muitas lideranças políticas, empresariais, religiosas, e outras, parecem ter desaprendido que os meios de comunicação são essenciais para seus negócios, propósitos, estratégia, e claro, para a comunicação que cria, lança, mantém, o derruba, marcas e nomes públicos.

Passaram a tomar como régua apenas as redes sociais. Engano grave. Redes Sociais são importantes na vida digital que vivemos, mas não tem a mesma credibilidade que jornais, sites de grandes veículos de comunicação, jornalistas, e todos com as suas próprias redes sociais. Quando um jornalista procura alguém para perguntar, entrevistas, tirar dúvidas, atenda-o. Há seis anos escrevi um artigo aqui sobre isso, e resolvi republicar para relembrar que o contato respeitoso, profissional e rápido com jornalistas é fundamental. Aí vai para quem desejar ler:

“Um dos erros mais sérios para empresas, personalidades empresariais, esportivas, ou organizações sociais e não governamentais é a falta de transparência de seus atos, a inexistência de atendimento profissional da sua comunicação, e com isso, a inabilidade em se relacionar com os jornalistas que buscam a informação necessária para suas pautas. Normalmente isso acontece nas crises diante de problemas que empresas e negócios enfrentam – ambientais, trabalhistas, fotos inadequadas, declarações impensadas, entre outros. Normalmente a visão distorcida é que a imprensa e mídia em geral só desejam falar de erros em busca de audiência. Engano fatal.

notícia é um formato de divulgação de um acontecimento por meios jornalísticos. É a matéria-prima do Jornalismo, normalmente reconhecida como algum dado ou evento socialmente relevante que merece publicação. Fatos políticos, sociais, econômicos, culturais, naturais e outros podem ser notícia se afetarem indivíduos ou grupos significativos para um determinado veículo de imprensa. Geralmente, a notícia tem conotação negativa, justamente por ser excepcional, anormal ou de grande impacto social, como acidentes, tragédias, guerras e golpes de estado. Notícias têm valor jornalístico apenas quando acabaram de acontecer, ou quando não foram noticiadas previamente por nenhum veículo.

A “arte” do Jornalismo é escolher os assuntos que mais interessam ao público e apresentá-los de modo atraente. Nem todo texto jornalístico é noticioso, mas toda notícia é potencialmente objeto de apuração jornalística. Quatro fatores principais influenciam na qualidade da notícia:

– Novidade: a notícia deve conter informações novas, e não repetir as já conhecidas
– Proximidade: quanto mais próximo do leitor for o local do evento, mais interesse a notícia gera, porque implica mais diretamente na vida do leitor
– Tamanho: tanto o que for muito grande quanto o que for muito pequeno atrai a atenção do público
– Relevância: notícia deve ser importante, ou, pelo menos, significativa. Acontecimentos banais, corriqueiros, geralmente não interessam ao público

Portanto, quando um jornalista procurar você, sua empresa, buscando esclarecimentos sobre determinado fato que aconteceu, ou que poderá acontecer (fontes fornecem ao jornalista os fatos mesmo que você tente encobrir), não deixe de atender. Jamais negue informação. Nunca mande somente uma nota fria, principalmente sem qualquer contato pessoal seu ou de sua assessoria de imprensa. Aliás, profissionalizar a gestão da comunicação dos seus negócios é uma estratégia inteligente e estratégica. Uma crise de imagem mal gerida pode atingir o coração dos seus negócios.

Por isso seguem algumas dicas importantes que a Salvador Neto Comunicação oferece e pratica com seus clientes:

– Quando um jornalista telefona ou envia uma mensagem eletrônica solicitando uma informação ou entrevista, analise o tema e veja qual o profissional ou dirigente mais adequado a responder sobre o assunto

– Após identificar qual o porta-voz ou fonte mais adequada e preparada para falar sobre o tema, compreender a ocorrência e debater sobre, retorne ao jornalista indicando ao jornalista as formas de contato (telefone, celular, horários)

– Jamais passe contatos do especialista à imprensa sem antes consultá-lo, pois você deve deixar o mesmo à par da situação e da ocorrência, e também oferecer ao jornalista alguém que  efetivamente possa dar informações sobre o assunto e disponível.

– Sempre atenda o jornalista com cordialidade, rapidez e melhor, pessoalmente. Em casos extremos, se convoca inclusive uma entrevista coletiva com quem estiver mais preparado sobre o tema”.

* Escrito pelo jornalista Salvador Neto há seis anos, profissional experiente na gestão da comunicação de inúmeras empresas, políticos e personalidades, especialista em gestão de crises de imagem e marketing digital, atua há mais de 30 anos na comunicação.

Sobre a entrevista coletiva, veja o que pensa o escritor Ruy Castro

Pergunta objetiva, direta, é a receita do bom jornalismo

Pergunta objetiva, direta, é a receita do bom jornalismo

Ao assistir a filmes americanos envolvendo jornalistas, você notará a diferença. Quando surge na tela uma entrevista coletiva, cada repórter dispara uma única pergunta, curta e objetiva, que obriga o entrevistado a fazer “gulp” antes de responder. Agora compare isto com as coletivas dos nossos repórteres de TV.

Quase todos começam por uma pergunta tão longa quanto desnecessariamente explicativa. Não satisfeitos, engatam um “…e também” e emendam uma segunda pergunta, tão longa e explicativa quanto.

Ao fim desta, o telespectador já não se lembra do que ele perguntou primeiro. Mas o entrevistado se lembra muito bem – e só responde àquela que lhe for mais confortável ou conveniente. Vê-se isso ao fim de todos os jogos de futebol, nas coletivas dos treinadores. Tem-se visto isso nas coletivas dos ministros do governo, políticos e autoridades em geral.

A condição
Você dirá que, no cinema, a dinâmica do roteiro faz com que os jornalistas tenham de parecer objetivos – não há tempo nem espaço para conversa fiada em cena. E eu responderei que esta é uma cláusula pétrea entre os repórteres americanos.

“Perguntas curtas, frases curtas, palavras curtas – e uma pergunta de cada vez”, aprendi em Nova York com Alain De Lyrot, antigo editor do Herald Tribune. “Se o entrevistado não responder a contento, você repica a pergunta.”

Nossos repórteres não se contentam com uma pergunta simples e direta. Sentem-se na obrigação de enriquecê-la, desdobrá-la e acrescentar elementos. Com isso, só a tornam confusa e o entrevistado responde o que quiser.

Eu sugeriria que, antes da coletiva, nossos repórteres se entendessem. Todos teriam direito a duas perguntas. Mas uma de cada vez. E com uma condição: além de curtas e objetivas, elas sempre deveriam terminar por um ponto de interrogação.

Da Folha de SP em 18/3/2015