Quem pode (ou não pode) se vacinar contra COVID-19 no Brasil?

Desde o dia 17 de janeiro, brasileiros já são imunizados contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) e, até agora, mais de um milhão de pessoas já receberam a primeira dose de uma das duas vacinas contra a COVID-19, autorizadas de forma emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com foco inicial nos grupos de risco e nos profissionais da saúde, existem inúmeras dúvidas sobre quem poderia se vacinar ou não contra o agente infeccioso.

Para entender as recomendações da vacinação contra a COVID-19, o Canaltech conversou com o infectologista Renato Grinbaum, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia. Vale comentar que Grimbaum atua na linha de frente contra o coronavírus na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo e já recebeu a primeira dose da CoronaVac, “sem qualquer reação adversa”. 

Vacinação contra a COVID-19 é indicada para pessoas com mais de 18 anos no Brasil (Imagem: Reprodução/ CDC/ Unsplash)

Além disso, foram consultadas as bulas da CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e pela Instituto Butantan, e da vacina de Oxford, elaborada pela farmacêutica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Ambos os documentos foram disponibilizados pela Anvisa, em seu site oficial. 

Quem pode se vacinar contra a COVID-19?

“Ambas as vacinas [aprovadas pela Anvisa] são seguras e, por isso, a maioria das pessoas pode receber o imunizante”, explica o infectologista sobre a segurança dos imunizantes que adotam técnicas já conhecidas pela ciência para gerar defesas contra o agente infeccioso da COVID-19. Por exemplo, “a vacina de Oxford é feita com um vírus vivo, não o coronavírus, mas um vírus que não é causador de doença em seres humanos [apenas em macacos], e modificado geneticamente”, comenta o professor. Já a CoronaVac adota o coronavírus inativado (“morto”), o que impede uma hipotética infecção da doença. 

Sobre essas orientações, a bula da CoronaVac esclarece que “é indicada para imunização ativa para prevenir casos de COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2, em indivíduos com 18 anos ou mais que sejam suscetíveis ao vírus”. De forma bastante semelhante, a vacina de Oxford “é indicada para a imunização ativa de indivíduos a partir de 18 anos”.

Pessoas com mais de 65 anos podem receber a vacina contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ CDC/ Unsplash)

Em outras palavras, as duas vacinas podem ser adotadas por indivíduos com mais de 18 anos na prevenção de infecções pelo coronavírus. Inclusive, pacientes que tratam (ou trataram) algum tipo câncer e idosos com mais de 65 anos podem receber o imunizante. Agora, as contraindicações são bastante restritas, como veremos a seguir. No entanto, elas podem variar conforme avança a campanha de vacinação e novos estudos sejam concluídos.

Casos especiais da vacinação

Grávidas e lactantes

Na vacinação contra a COVID-19, um dos casos especiais são as mulheres grávidas e as lactantes que, em algumas circunstâncias podem se vacinas, mas apenas com a recomendação médica. De maneira geral, “vale o conceito de que vacinas feitas de vírus vivos [como o imunizante de Oxford] não podem ser aplicadas em gestantes e imunodeficientes”, comenta o Grinbaum.

Nesse caso, a vacina de Oxford orienta que “este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica”. Dessa forma, é recomendado que a pessoa “informe o seu profissional de saúde” em caso de gravidez e de amamentação, já que existem dados limitados sobre os efeitos da fórmula nesses indivíduos.

Na bula da CoronaVac, também é ressaltado que o medicamento “não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista”, o que acontece por falta de informações sobre reações nesse grupo específico. “Estudos em animais não demonstraram risco fetal, mas também não há estudos controlados em mulheres grávidas ou lactantes”, detalha o documento. Nessas circunstâncias, valerá a ponderação entre as partes sobre os riscos envolvidos.

Vacinação com precaução

Além disso, existem alguns grupos de pacientes que devem ter cuidados especiais na hora da vacinação, como pessoas que utilizam anticoagulantes. Nesses indivíduos, qualquer vacina injetável —  como a CoronaVac e a de Oxford — devem ser aplicadas com precaução para evitar incidentes, principalmente hemorragias. No entanto, esse cuidado não impede a imunização contra o coronavírus.

Outro grupo que deve ter cautela deve ser os pacientes com doenças reumatológicas, como artrite e lúpus, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. Novamente, a vacinação pode ocorrer, mas é importante se atentar ao estágio da doença.

“Preferencialmente, o paciente deve ser vacinado estando com a doença controlada ou em remissão, como também em baixo grau de imunossupressão ou sem imunossupressão. Esta não é uma condição imprescindível para que o paciente seja vacinado, mas um cenário ideal. Estando em outras situações, é fundamental discutir com o reumatologista assistente qual o melhor momento para a vacinação, considerando a situação epidemiológica”, explica documento elaborado por 28 especialistas da entidade de reumatologia.

Quem não deve se vacinar

Crianças

No momento, crianças não devem ser vacinadas contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Manuel Darío Fuentes Hernández/ Pixabay)

No momento, a vacinação contra o coronavírus não é recomendada para crianças e jovens com menos de 18 anos por falta de estudos com a população pediátrica. A restrição é ressaltada tanto na bula da vacina de Oxford quanto da CoronaVac. No entanto, este cenário pode eventualmente mudar caso novos estudos clínicos comprovem a segurança dos imunizantes neste público. Em algumas farmacêuticas, essas pesquisas já estão em andamento.

Pessoas alérgicas

Uma das grandes contraindicações das vacinas é para pessoas que tenham reações alérgicas conhecidas —  incluindo, principalmente, as graves (anafilaxia) —  contra algum dos componentes do imunizante. Nesses casos, a recomendação é sempre buscar orientação com um médico responsável, conforme orienta o infectologista.

“Você não deve ser vacinado se tem ou já teve alergia a algum componente da vacina adsorvida COVID-19 (inativada)”, adverte a bula da CoronaVac. Em sua fórmula, estão presentes os seguintes componentes: hidróxido de alumínio; hidrogenofosfato dissódico; di-hidrogenofosfato de sódio; cloreto de sódio; e hidróxido de sódio.

Da mesma forma, as orientações da vacina de Oxford alertam para as alergias. “Você não deve receber a vacina da COVID-19 (recombinante) se você já teve uma reação alérgica grave ao princípio ativo ou a qualquer dos ingredientes da vacina COVID-19 (recombinante)”, afirma. Entre seus componentes, estão: cloridrato de L-histidina monoidratado; cloreto de magnésio hexaidratado; polissorbato 80; etanol; sacarose; cloreto de sódio; e edetato dissódico di-hidratado.

Além desses casos, quem já recebeu outra vacina contra a COVID-19 não deve receber uma segunda fórmula contra o mesmo agente infeccioso. Isso porque não existem estudos sobre os efeitos dessa vacinação dupla contra o coronavírus. Neste cenário, há apenas um estudo, em andamento, do uso combinado da vacina de Oxford com o imunizante Sputnik V.

E quem está com COVID?

Pacientes diagnosticados com a COVID-19 devem adiar a imunização contra o coronavírus. Sim, pessoas que já se contaminaram podem ser imunizadas também, afinal há o risco de reinfecção da doença. No entanto, Grinbaum ressalta que essa imunização só poderá ocorrer “após quatro semanas da resolução da infecção”. 

Pessoas com febre devem adiar a imunização contra a COVID-19 (Imagem: Polina Tankilevitch/ Pexels)

Outros impeditivos temporários para a vacinação é um caso de febre. “Se você estiver com alguma doença aguda ou com febre ou início agudo de doenças crônicas não controladas no momento da vacinação, esta vacina não é indicada”, ressalta a bula da CoronaVac. Agora, “se você atualmente tem uma infecção grave com febre alta (maior que 38 °C). No entanto, uma febre leve ou uma infecção leve, como um resfriado, não são razões para atrasar a vacinação”, aponta a vacina de Oxford. Em caso de dúvidas, sempre vale consultar o médico que acompanha o seu histórico clínico.

Vale lembrar que as vacinas são “absolutamente seguras”, avisa Grinbaum. “Efeitos colaterais raros ainda são desconhecidos, mas efeitos comuns que poderiam levar a uma contraindicação já foram bem analisados”, avisa o médico. “Questões de eficácia no mundo real, duração da proteção ainda precisam ser melhor avaliados, com o tempo”, comenta o infectologista sobre as próximas etapas dos estudos de imunizantes contra a COVID-19. 

Para acessar a bula da CoronaVac, clique aqui. Caso queria conferir a bula da vacina de Oxford, entre aqui. Ambos os documentos foram disponibilizados pela Anvisa.

  • fonte: CanalTech

A “cutucada” da crise pandêmica

Por natureza nós seres humanos somos acomodados, principalmente a partir da segunda metade do Século XX, e mais ainda no atual. As tecnologias, as facilidades em comprar, estudar, pesquisar, assistir filmes, aulas, conversar com amigos, e muito mais atividades, ficaram fáceis, confortáveis. Nem sequer precisamos sair do lugar. Viramos sedentários demais da conta. Só saímos do conforto quando a coisa aperta, asfixia, nos empurra para as soluções necessárias.

Eis que não mais que de repente nos chega a Covid-19, conhecidíssimo por coronavírus, para a tristeza da marca de cerveja – ou seria alegria? – e nos dá aquela dolorida cutucada que não só nos acorda, nos derruba abismo abaixo sem termos tempo para pensar, ou mesmo buscar um “aplicativo” que nos proteja. Nossos hábitos estão à prova de tudo. Da higiene ao convívio social, da inatividade mental para a buscar urgente da criatividade. Mexer-se virou necessidade vital.

Já disse em outro artigo que o mundo em que vivemos até março passado não existe mais. A primeira vista, com o retorno às atividades laborais, de lazer, familiares, parecerão iguais. Mas nada mais será igual após o coronavirus. Acredite. Não se deixe largar no sofá com o celular na mão esquerda, e o controle remoto na mão direita. Será preciso mais que ser um “consumidor” das tecnologias. Será preciso criatividade ao cubo, e mais solidariedade e trabalho em grupo.

Vimos que somos frágeis, muito frágeis. E isso não somente na parte física e emocional – achávamos que éramos invencíveis e muito fortes. O isolamento mostrou o contrário – mas também na economia. Em poucos dias o pânico tomou conta dos “mercados”, do comércio, da indústria, da agricultura, da cultura, tudo e todos. Como viveremos? Como teremos o dinheiro para comprar, pagar contas, funcionários, manter clientes? Eis aí o desafio.

O que poderá nos diferenciar a partir de agora? Como vamos manter as operações com o custo que tínhamos, margens de lucros, atendimento? De que forma continuaremos a vender, produzir, divulgar, ganhar corações e mentes e manter as pessoas e clientes mais próximos? Até que preço vamos querer pagar ao continuar como éramos, ou mudar radicalmente para ocupar um espaço na vida pós-pandemia? Para quem gosta, os Ps do marketing terão que ser revistos à exaustão. A economia mudou e mudará mais, principalmente para os pequenos e médios empresários.

Para você que é trabalhador, profissional autônomo, empreendedor individual, artista, produtor, e tantas outras profissões, também mudará. Aproveite que o dia a dia de sua atividade exige mudanças quase sempre para se recriar mais uma vez. Busque novos produtos, mercados, reinvente sua forma de atendimento e presença junto a quem você presta serviços ou venda produtos. Mostre que você o respeita e está antenado com as lições do coronavírus.

Bom exercício de criatividade para todos nós. A corona-cutucada veio para isso, mudar tudo e todos. Vamos aprender?

* Salvador Neto é empreendedor e jornalista acostumado a ter que se reiventar há muitos anos. Vai começar de novo…

Gestão de Crises não é para amadores

Coronavírus. Covid-19. Pandemia. Isolamento Social. Mortes aos milhares. Paralisia econômica. Renda zero. Emprego zero. Gripezinha. Fique em casa. Dissonâncias. Overdose de informação. Tudo o que você vivia acaba de mudar, assim, como se seus dedos apertassem o controle remoto e o canal mudasse, sem volta para o anterior. Assim é agora no mundo. Todo mundo acossado, perdido, e sem poder parar.

Já fui gestor de muitas crises de imagem, seja na área pública ou privada. Ao longo de mais de 25 anos na área da comunicação, o que sempre ouvi e vi acontecer em momentos de crise foi “precisamos reduzir custos”. Qual o primeiro corte? Comunicação, marketing. Toda reação ao que acontecia começava por cortar o que jamais deveria ser cortado que são os investimentos em comunicação. Na crise se deve investir mais no guarda-chuva da comunicação, nunca menos.

A cada corte que vi, e também fui cortado muitas vezes, após a crise o custo para o “retorno à normalidade” sempre foi muitas vezes mais alto que a manutenção custaria. É simples de entender. Como diz o personagem de um filme infantil, continue a nadar. A onda poder ser gigante. Continue a nadar e ainda mais forte para superá-la. Ao escolher a paralisia, a força desta onda te jogará para a praia, ou as pedras. Você terá, se tiver resistido, que voltar a nadar desde a orla até chegar novamente no lugar onde havia conquistado.

Afora isso, não cortar investimentos em comunicação, ainda mais na era ultra-digital em que vivemos, há que se ter gestores testados e preparados para crises. A experiência dá segurança e muita antevisão do que fazer, como fazer, aonde e quando agir. Não que o experiente tenha a bola de cristal e, ao tocar lá vem o futuro, nada disso. Um profissional de comunicação experiente e vivido em vitórias, derrotas, erros e acertos, meio que tem um “check-list” que o permite prever com muito mais acerto os passos a tomar para se garantir que uma imagem, uma marca, e com eles os negócios e lucros, sejam perdidos.

Gestão de crises não é para amadores. Quem tem a comunicação como setor essencial arranca sempre na frente. Se possuir um sistema de Governança da Comunicação, método criado por Salvador Neto para todos os tipos de negócios e pessoas públicas, segura a crise com mais força e organização. Agora foi o Coronavírus que derrubou grandes corporações, bolsas de valores, governos, sistemas de saúde e muito mais. Amanhã certamente será outra “novidade” a testar nossas capacidades humanas de viver em sociedade, em solidariedade, e de forma a que não destruamos a nossa casa Terra.

Neste momento em que poucos sabem o que fazer e se desesperam com a tomada de decisões de governadores e prefeitos sobre como e quando retomar negócios – acredite, eles também não sabem como mas tem de fazer algo! – e a vida normal, acredite, invista em comunicação de forma estratégica. Não é só gastar em impulsionamentos, likes, visibilidades fúteis. É garantir um método de ação e reação às crises de forma profissional, segura, experiente e sustentável. Não se iluda, o mundo pós-coronavírus será completamente diferente nas relações econômicas, pessoais. A única coisa que não muda nunca: a comunicação. Pense nisso, crie a sua Governança da Comunicação e seja eficiente diante de qualquer crise.

* Por Salvador Neto, jornalista, consultor e criador do método Governança da Comunicação.

DC – Depois do Coronavírus, algumas mudanças que virão

Ambicioso e talvez prematuro, existem aspectos que já neste momento podem ser antecipados de movimentos estruturais que impactarão o mercado, o varejo e o consumo como resultado do cenário em explosiva transformação que começou pelo Covid-19 e foi exponenciado por um conjunto de outros fatores, controláveis e incontroláveis, caracterizando o DC atual, Depois do Coronavírus:

  • Aceleração da consolidação do novo eixo geopolítico e econômico do mundo – É evidente que não é algo específico para varejo e consumo, mas tem e terá implicações também muito fortes em termos de abastecimento, marcas, logística, produtos e canais de vendas e relacionamento. Era um processo em evolução, mas está sendo agora acelerado o empoderamento da Ásia no epicentro da transformação geopolítica e econômica mundial. Enquanto China, Coreia, Cingapura e outros países da Ásia se integram e encaminham soluções pragmáticas e rápidas para contornar o epicentro do furacão gerado pelo Coronavírus, países como Estados Unidos de um lado e Itália, Espanha e outros, em outra dimensão, demoraram em se sensibilizarem e mobilizarem para enfrentar o problema e as consequências serão dramáticas no plano social, político e econômico, fragilizando ainda mais as lideranças políticas em todos esses países e ensejando movimentos de renovação;
  • Redução da importância estratégica dos Estados Unidos para o Brasil. E para o Mundo – A ainda maior economia do mundo reduzirá sua importância estratégica para o Brasil por conta da necessidade de equacionar seus próprios problemas e dificuldade em apoiar outras economias. No âmbito do varejo e do consumo isso pode significar redução da importância de marcas, canais, empresas e negócios envolvendo consumo a partir dos Estados Unidos. O movimento do Walmart recentemente, liquidando suas operações no Brasil e em outros países da América do Sul, já era uma sinalização desse processo. Ante as dificuldades locais pela ação da concorrência, em especial no digital e mais especificamente da Amazon, preferiram recolher o time e concentrar esforços. Ainda que Amazon, na contramão desse movimento, se proponha a crescer de forma mais agressiva no Brasil, no conjunto da obra, envolvendo empresas, negócios, marcas, lojas e conceitos norte-americanos, haverá uma perda de relevância do que for criado, desenvolvido e operado a partir dos Estados Unidos;
  • Aumento da importância econômica da China para o Brasil – Na mesma linha de raciocínio temos outro elemento, que também já estava em evolução, com a China que já havia se transformado no principal destino de produtos brasileiros, e em seguida teremos uma aceleração desse processo, tanto pelo lado da emergente e demanda de lá como pela fragilização das importações de países ocidentais e em particular dos Estados Unidos, boa parte da Europa e América do Sul. O desafio, e a maior oportunidade, será transformar essas exportações dominantes de commodities, em exportações de produtos e marcas com maior valor agregado. Teremos, igualmente, num momento seguinte, o aumento da presença de empresas chinesas no mercado brasileiro, na fase inicial em áreas estruturais, mas avançando para outros setores incluindo finanças, varejo e consumo. E nesse vetor, é preciso alta dose de alienação no atual cenário, para manifestações despropositadas, desnecessárias e inconsequentes que possam afetar as relações entre os dois países pela importância estratégica que China tem e, crescentemente, terá com o Brasil;
  • Aumento dos gastos globais com serviços no médio e longo prazo – No curto prazo haverá concentração de gastos com alimentos e medicamentos, mas no médio e longo prazo tenderá a haver um aumento dos gastos com serviços, especialmente envolvendo saúde, educação, comunicação e outros. Superada a crise, em algum momento futuro, haverá a recuperação dos gastos com turismo, lazer e entretenimento, mas é um enigma se haverá uma compensação imediata do período de privação ou haverá uma gradativa retomada por conta de um consumidor mais conservador que irá emergir como resultado da crise vivida;
  • A emergência do omniconsumidor-cidadão megaconectato e discriminante – Por conta do abissal crescimento do tráfego de dados e informações em ambiente recluso e mais tempo para consumo dessas informações, emerge um omniconsumidor-cidadão megaconectado e discriminante como nunca. Com o que é real, porém mais sensível também ao fake. Porém ainda mais consciente e avaliando com mais profundidade e sensibilidade tudo que é recebido. Não podemos dizer, ao menos por enquanto, que essa análise tem maior racionalidade, pois definitivamente a sensibilidade com o drama que está sendo vivido é muito alta e, em muitos casos, exacerbada pela comunicação aberta, especialmente por alguns veículos. Mas à medida que o tempo passar vão sendo filtrados conteúdos e fontes e novos comportamentos advirão dessa consciência, reposicionando relações e percepções, tanto com respeito a marcas, produtos, negócios e serviços e também, sobre as questões políticas e sociais;
  • Necessidade e Conveniência mudam a participação dos canais de vendas e relacionamento. Consumidores aprendem novos hábitos que marcarão seus consumos futuros – Da mesma forma como aconteceu na crise financeira de 2007-2009 nos Estados Unidos, quando os norte-americanos “descobriram” os Warehouse Clubs, Clubes de Atacado, como Costco e outros e, em boa parte, mantiveram o hábito de comprar neles mesmo depois de superada a crise, deveremos ter algo similar no mundo e muito especialmente no Brasil com parcelas importantes da população aderindo ao e-commerce e o delivery. Esses sistemas crescerão ainda mais de importância como canais de vendas e relacionamento. Já era um movimento em rápida evolução, mas sua importância será acelerada de forma marcante por conta da percepção, quase que compulsória, de suas virtudes, limitações e oportunidades;
  • Mudam participações e perspectivas para os players tradicionais do varejo – A capacidade, prontidão e condição de inovação e implementação de alguns players tradicionais do varejo ensejará mudanças relevantes nas participações de mercado, favorecendo em especial as empresas mais “digitais” em sua proposta e que consigam equacionar mais rapidamente os gargalos que se criaram em questões de logística, abastecimento, comunicação, crédito, pagamentos e outros fatores;
  • Dramática mudança do “share of wallet” das diversas categorias no curto e médio prazo – Por absoluta necessidade e contingência a distribuição de dispêndios no curto e médio prazo para as diferentes categorias, será profundamente alterada em benefício de alimentos, bebidas, medicamentos e produtos de limpeza, saúde e bem-estar e talvez algo em educação e eletrônicos. Tudo isso com prejuízos em moda, vestuário, calçados, material de construção e, fora do lar, lazer, diversão e turismo. Ainda que o maior impacto ocorra no curto e médio prazo, parte desse comportamento será mantido posteriormente por conta de um consumidor mais ressabiado e cauteloso que deverá emergir de todo esse processo. Mas é verdade também que, na recuperação futura, alguns nichos de mercado tenderão a um mecanismo de compensação, aumentando gastos em categorias, produtos, marcas e serviços que foram contingenciados no período de crise;
  • Aumento da infidelidade para produtos, marcas, serviços e lojas – De forma simplista a necessidade é a mãe das virtudes e por conta do quadro instaurado a necessidade se sobrepõe aos desejos gerando redução da fidelidade de forma geral. O lado positivo é que, como compensação, aumenta a propensão à experimentação o que favorece a “descoberta” de produtos, marcas, serviços e lojas que pode converter em preferência se o valor percebido for relevante suficiente para precipitar mudanças. Mas o movimento de “infidelização” já era algo desenhado e em evolução por conta do aumento exponencial da informação que chegava aos consumidores, estimulando a experimentação e no período esse processo é exponenciado;
  • Aceleração da redução de distância entre marcas e consumidores – Seja por conta do difícil quadro de abastecimento de curto e médio prazo, seja por conta de um movimento que já vinha acontecendo, passado o período mais agudo dessa crise instaurada, os fornecedores de produtos e marcas para o varejo, tenderão a repensar suas estratégias de distribuição criando canais diretos e exclusivos. Isso ocorrerá não só, mas usando especialmente os canais digitais que aumentarão sua participação de mercado e porque podem ser implantados com menores investimentos e custos operacionais pela indústria. No futuro próximo teremos uma maior participação da indústria e também empresas de serviços indo diretamente ao consumidor criando uma nova realidade na estrutura de distribuição;
  • Reconfiguração das alternativas de locais e formatos para compras e serviços – O crescimento da participação das alternativas digitais já era uma realidade no mundo e precipitava uma forte revisão da participação dos canais e locais de compras. O setor de shopping centers já vinha enfrentando essa realidade repensando sua oferta em termos de produtos, marcas e serviços. Mas tudo isso agora toma outro rumo, no curtíssimo prazo e por período limitado pelo acesso proibido. Mas no médio e longo prazo crescerá esse processo de reconfiguração dos shoppings e centros comerciais pela aceleração de uso da conveniência, facilidade e intimidade do e-commerce e do delivery.

E igualmente sua reconfiguração como destinos de entretenimento e lazer e, de forma mais abrangente, de serviços pessoais. Mas também teremos a expansão dos locais de compras autônomos, com menos gente e mais conveniência. Localizados onde está a demanda e permitindo a redução do tempo e a necessidade de deslocamento, vamos assistir ao crescimento de uma nova geração de formatos, onde Amazon Go e outros, foram precursores, mas agora reconfigurados em sua proposta, tecnologia e oferta.

Igualmente relevante é a discussão de curto prazo envolvendo as relações entre desenvolvedores de centros comerciais e inquilinos, ambos pressionados pelas estruturais mudanças e que marcarão as percepções e discussões futuras entre esses grupos integrando ou dificultando o diálogo estrutural;

  • Cresce ainda mais a importância do Propósito, não só na teoria, mas o Propósito em ação – Esse movimento também estava bem definido, especialmente a partir dos últimos anos, quando empresas e marcas se deram conta que gerações emergentes cobravam das empresas e das marcas um maior compromisso com o social e o coletivo. A atual crise torna essa demanda muito mais forte, pois ações, iniciativas, comunicação e relacionamento tornaram muito mais relevante à demonstração desses compromissos, não como simples discurso no meio do drama, mas de forma estratégica, estruturada e genuína. Ao contrário, empresas e marcas que não têm o aval de sua história e ações estruturais e efetivas nessa direção, precisam ter muito cuidado para não serem expostas e vistas como oportunistas por consumidores-cidadãos que estão ainda mais sensíveis e atentos com esses aspectos;
  • Uma nova dimensão da percepção de risco – Tudo parecia simples, fácil e positivo num cenário onde o novo, especialmente em termos de tecnologia, era premiado com capital abundante e os benefícios do ávido mercado financeiro. O mundo caiu na real e o lado negativo é que tudo isto custará muito caro para muitos. O lado positivo é que fundamentos da gestão de negócios e empresas voltam a ser valorizado e margem, deixará de ser coisa de rio, na expressão dos jovens empreendedores e o “basic to basics” voltará a ser valorizado e parâmetro de decisões de médio e longo prazo, sem desvalorizar a força da inovação tecnológica, transformadora do mercado;
  • Ser empresário ou empreendedor. Nada será como antes. Para ninguém – Para muitos empresários ou empreendedores essa é sua primeira e mais séria crise sendo enfrentada nessa condição. Ainda que o digital possa reduzir distâncias, ele não elimina o isolamento de quem está no comando, especialmente quando a crise tem as dimensões e impactos que a atual traz consigo. Muitos considerarão seriamente em voltar à condição de empregados. O problema é que, estruturalmente, seus empregos do passado não mais existem. Vivemos uma profunda e ampla transformação estrutural do emprego por conta do avanço da tecnologia e da reconfiguração do mercado. E agora, para muitos, cai a ficha que como tudo na vida existem ônus e bônus em tudo que envolva negócios. E isso cria uma nova realidade fazendo emergir uma geração de novos empreendedores forjados na maior crise recente da humanidade.

Como sempre no consumo e no varejo é fundamental cuidar do presente, com a “barriga no balcão” sem tirar os olhos do futuro, mesmo no meio dessa tempestade mais do que perfeita, é interessante considerar esses pontos, ainda que, eventualmente, ambiciosos demais em sua proposta para este momento. Simples e genuíno desejo de compartilhar percepções.

Fonte: Meio e Mensagem

#Fique em Casa!

Nós da Salvador Neto Comunicação temos como premissa a ética e a transparência total em suas ações e atividades. Por isso neste momento grave da saúde pública mundial, pedimos a você que nos acompanha: fique em casa!

O Covid-19 (Coronavírus) não é uma gripezinha, não atinge somente idosos – e eles são tão importantes quanto qualquer ser humano -, ele atinge a todos sem distinção de cor, classe, gênero, classe social, ele é altamente democrático para levar milhões para a morte se não houver isolamento.

A ciência, os especialistas, os médicos, profissionais de saúde, e a imprensa e jornalismo qualificados, são as fontes reais e verdadeiras para que você saiba o que está acontecendo, e das medidas a seguir. Não ouça quem diz a você, vai para a rua, tá tudo certo! Vamos ser solidários, mais humanos, e valorizar a vida em primeiro lugar sempre!

Dinheiro, emprego, empreendimentos, reconstruímos e reconquistamos. A vida acaba se não cuidarmos dela. Mais uma vez pedimos: Fique em Casa! Isso vai passar.