Seguindo no compartilhamento de minha trajetória profissional, vamos ao segundo capítulo, meu primeiro trabalho com carteira assinada em um escritório de contabilidade, com um contador das antigas… Espero que curtam:
Com o professor Rudnick
Após meu primeiro trabalho no Bar do Zeny, meu pai, consegui um emprego formal, estes com carteira assinada que na época era um luxo – havia muito desemprego na década de 1980. Aliás, hoje isso também é real, infelizmente, e ainda querem acabar com os poucos direitos que os trabalhadores tem. Aliás, aí está um desejo permanente dos comandantes do capitalismo, nenhum direito e todo o trabalho com a mínima remuneração possível. Cada um por si. Eles, que tem tudo, não estão nem aí com o trabalhador comum. Mas, seguimos.
Era um trabalho como auxiliar de escritório em um contador autônomo, o seu Norberto Rudnick, de saudosa memória. Ele era uma figura. Alto, muito magro, cara sempre fechada. Fumava muito, bebia até café frio, era duro e seco. Ensinava uma vez só. Aprendi.
Faturamento, cobrança, emitir notas fiscais, lançar as notas e despesas nos livros contábeis, atender clientes (ele vivia saindo, bebia uns cubas, e dormia atrás dos arquivos em um pequeno sofá) quando ele estava “ausente”, e até fazer os contratos de abertura de empresas e toda a papelada burocrática a ser preenchida.
Eram tempos de máquina de escrever – datilografia, sacou? Não? Pesquisa no google aí (rs) – calculadora de mesa, de fita, papel carbono, lançamentos contábeis à mão. Naqueles tempos passei a ir semanalmente a Florianópolis para abrir as empresas junto à Junta Comercial do Estado. Ia pela manhã, e graças a minha desenvoltura com os servidores, conseguia trazer os contratos registrados. Os clientes adoravam, e seu Norberto também.
Assim o escritório Franco Contabilidade (era quem assinava, porque o Rudnick não tinha o curso de contador) ganhava clientes a mais, e eu aprendia ainda mais a ser um profissional. O salário era baixo, mas ideal para quem vinha de receber alguma coisa só se pedisse muito ao patrão, no caso, o meu pai. Seu Rudnick tinha uma obsessão na época, conseguir o credenciamento para ser despachante do Detran, fazer os documentos de carros, carteiras de motorista. Dava muita grana este serviço.
O lobby dos despachantes, forte até hoje, quase o impediu de ter o sonho concretizado. Antes de eu sair para um novo trabalho, ele venceu e teve a sua credencial. Ficou feliz como uma criança ganhando o seu presente. Com este professor aprendi muito, e o conhecimento que conquistei foi importante para novos desafios profissionais anos depois.
Por Salvador Neto
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