Baú de Memórias #8 – Travessia, entre uma multinacional e outra

Na última crônica profissional contei sobre minha passagem na Coca Cola. Terminei levando algo que sempre te leva pra frente: um pé na bunda. Segue a história:

“Demitido da Vonpar/Coca-Cola, prestes a ser pai pela primeira vez, mudança para a nova casa, um apartamento financiado, contas a pagar… a vida testando a minha força, resiliência, persistência e vontade. Tinha jeito senão recomeçar? Eis aí meu primeiro contato com a área jornalística de fato, quando vi um anúncio no jornal local. Precisa-se de assessores comerciais, nome bonito para vendedores. Jornal Indústria e Comércio iniciava atividades na cidade.

Comecei lá em dezembro de 1994, pouco mais de um mês após sair da Vonpar/Coca Cola. Salário mínimo e comissões, e para ser um nobre membro da equipe, teria que usar roupa social, gravata, etc. Nunca foi meu forte… O produto era venda de assinaturas do jornal voltado ao comércio e indústria. Saia todos os dias pelas ruas, a pé ou de ônibus, visitando estabelecimentos interessados. A ideia era boa, o time bom, e o jornalista responsável era o amigo Júlio Franco. Mas vender assinaturas, francamente, não era simples, nem com bonificações. O cara das vendas era o Franco, grande figura que depois se tornou o cara comercial no ramo de fretes.

Era verão brabo, e eu suava em bicas engravatado. Nesta fase conheci um dos grandes amigos que tive na vida, o Júlio Marim. Tinha acabado de assumir o apartamento novo, em um condomínio de 14 blocos se não me engano. Ele também morava lá em bloco vizinho. Um dia, eu parado no ponto de ônibus na rua em frente, eis que para um carro, e o motorista abre a janela. “Quer carona? Vai pra onde?”. Era ele, Júlio. Respondi que iria para o centro, e ele disse que me levava, estava indo para lá também. Meio desconfiado, entrei. Ele era representante comercial de papelão, e gostava do que fazia. Nascia ali uma grande amizade – hoje distante – que teve um marco. Um acidente de carro logo neste mesmo dia. Batemos atrás de outro carro. Esquecer como!

Apesar da amizade, e de alguns convites dele ao longo dos anos, nunca vendi papelão, caixas para embalagens, com ele. E ele prosperou muito, junto com sua esposa Maria Teresa. Adorava um churrasco, cerveja, festa, futebol. Tiveram uma filha linda, Maria Estela, que faleceu tragicamente depois. Depois o casal adotou um menino e a vida seguiu. Vamos voltar né, à minha história. Mas com isso quero dizer que amizades são fundamentais em nossas vidas. Prestar atenção nisso é importante. Inaugurei o ano de 1995 com um grande presente, o nascimento de meu primeiro filho, o Gabriel. Ele já vivia em meus sonhos, eu o via claramente brincando comigo, na cama, jogando bola. Tempos depois viveríamos exatamente estes momentos. Quem explica?

Ele nasceu em fevereiro, e em março deixei o emprego no jornal para vender publicidade na tv, então RBS TV. Recebi uma dica de amigo que teve o meu apoio em eventos de publicidade com a marca Coca-Cola, e fui ser vendedor de publicidade com o famoso Orlando, o cara de vendas da TV. Ganhei apoio e um rápido treinamento, e uma lista com alguns clientes potenciais. Em um deles vendi minha primeira propaganda, e a comissão era legal. Não havia salário fixo. Aquela grana salvou o início da vida como pai de família. Mas durou pouco, porque logo apareceria outra chance.

Outro anúncio me chamava a atenção: a Pepsi Cola voltava a operar no Brasil agora através de uma empresa argentina chamada Baesa – Buenos Aires Embotelladora, e o nome comercial aqui era o internacional, Pepsi Cola Engarrafadora. Fila imensa em hotel novamente, fichas preenchidas, e logo depois fui entrevistado por um gaúcho, o Mário Schenk, que seria o responsável pela região. O diretor geral em Santa Catarina era o Douglas (não lembro o sobrenome), falastrão, animado. Fui contratado imediatamente, a experiência na concorrente Coca Cola foi fundamental. Comecei o trabalho no mesmo dia em que o primeiro shopping de Joinville, o Mueller, iniciava atividades em maio de 1995. Outra experiência sensacional que marcou minha carreira e reflete em minhas habilidades até hoje, pois permitiu que eu mergulhasse em outro universo de comunicação, vendas, marketing e operação logística diferenciada.

Pude trabalhar em outras cidades novamente como Blumenau, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, ajudando a implantação de novas unidades, rotas de vendas e entrega, treinamento de vendedores, abertura de praças e reconquista de clientes e grandes clientes do ramo supermercadista como Angeloni, Big, Giassi, Americanas, e muitos outros nos três estados do sul. Foi a melhor empresa em que trabalhei até hoje em termos salariais, benefícios, e valorização pessoal. Tenho muito para contar, após esta travessia, e a novidade de ser pai pela primeira vez. Conto mais na próxima!

Por Salvador Neto

Desinformação – Novo algoritmo detecta vídeos manipulados e deepfakes

Desinformação e fake news é um problema recorrente, especialmente nos Estados Unidos. Porém, com a pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e as iminentes eleições presidenciais, tais campanhas se tornam ainda mais perigosas. E é por isso que a Microsoft acaba de revelar o Video Authenticator, uma tecnologia que utiliza um algoritmo próprio para verificar a autenticidade de um clipe.

A invenção, segundo a própria companhia, é capaz de analisar clipes e fotografias, prestando atenção em elementos que seriam invisíveis ao olho humano. Com base na análise, ele fornece uma “nota de confiança” para que o próprio usuário possa decidir se é válido acreditar naquele conteúdo ou não. O algoritmo seria altamente eficaz na detecção de deep fakes, afirma a Microsoft.

Além de prover o autenticador em si, a companhia também vai permitir que produtores de conteúdo adicionem hashes em suas produções, que seriam utilizados como certificados de autenticidade no caso de um vídeo ou uma foto ser modificada. Trata-se de algo similar ao programa Content Authenticity Initiative, da Adobe, que gera um histórico permanente e protegido criptograficamente para registrar modificações em fotografias.

Imagem: Divulgação/Microsoft

Por enquanto, o Video Authenticator estará disponível apenas para membros do RD2020, uma iniciativa sem fins lucrativos que ajuda repórteres e pesquisadores a combater a desinformação através de uma série de ferramentas específicas.

Fonte: Engadjet

Baú de Memórias #7 – Marketing na veia, aprendizado na Coca Cola

Da última vez contei dos mestres que tive nas passagens na Elmo Contabilidade e na Meta Organização Contábil, e do quanto foram importantes na minha formação profissional. Pois então, após ajudar o Ademir Machado na sua eleição para vereador, não ganhei nada não como podem pensar. Segui atrás de emprego, trabalho, mas era final de ano e uma crise imensa – econômica e política – e passei um final de ano amargo. No início de 1993 a empresa Vonpar Refrescos – Coca Cola no RS, assumiria as operações em SC e estava contratando. Fui prá fila né. Esperei algumas horas para ser atendido e preencher ficha, fazer entrevista, não lembro em qual hotel da cidade de Joinville (SC).

Falei com três pessoas após preencher a ficha de emprego. O chefão da então Catarinense Bebidas era o Gilmar, não lembro o sobrenome. As vagas eram para representante de vendas, um nome bonito para vendedor. Pensei, olharão meu currículo, ex-sócio de uma empresa… Não vai dar nada. Mas deu! Fui contratado com outros grandes colegas. Entramos em um treinamento tipo lavagem cerebral. Tudo sobre Coca Cola. História, grandeza, propagandas aos borbotões, visitamos a fábrica em Blumenau, depois no RS. O salário seria bom com a comissão. Mas não começamos a vender, mas sim a sair nas ruas de todos os bairros da cidade e cadastrar, um por um, pontos de venda (PDV) que pudessem vender bebidas.

Fiquei com o Boa Vista, Comasa, Espinheiros. Tudo era a pé. Calor infernal. Ao final do dia, íamos para a empresa entregar e catalogar tudo, mapear em um mapa gigante da cidade. Aprendi ali a criar roteiros de venda, entender a logística de tudo. Enquanto isso éramos observados de perto pelos motoristas/vendedores. Era pronta-entrega, ou seja, saiam com o caminhão cheio, vendiam e entregavam. Eles estavam desconfiados que perderiam os empregos. A nós foi dito que haveria uma mudança radical: as duas distribuidoras existentes – Marbi e Iririú – sairiam da operação, mas eles não sabiam. E nós venderíamos, e uma equipe faria a entrega no dia seguinte, ou seja, mudaria tudo.

Definimos tudo. Rotas, quantidade de visitas possíveis, esquartejamos a cidade para quase 30 pré-vendedores. Enquanto isso a companhia preparava a transição. As conversas com as distribuidoras não evoluia, era muito dinheiro envolvido, poder, e a coisa não foi bem. Antes do rompimento total, iniciamos o sistema de pré-vendas com o nosso time, e eles entregavam apenas. Antes de ser um pré-vendedor, eu já havia sido promovido a representante de vendas, era um supervisor. Entrevistei, contratei e fui incumbido de cuidar das rotas, enquanto o Antonio Padilha cuidaria das grandes contas – supermercados, etc. Um dia chega a diretoria da Vonpar/CocaCola e diz: amanhã nós assumimos tudo.

Nossa! E os distribuidores? Eles que se virem, disseram. Nós sairemos amanhã com o nosso time entregando também. Ou seja, vendíamos e entregávamos, agora tudo nas mãos da empresa. Os donos das distribuidoras nos conheciam já, e passaram a nos odiar, naturalmente. Ameaças de impedir a saída dos nossos caminhões na manhã seguinte, à bala, e outras coisas, rolaram soltas. Mas fazer o que não é? Era a nossa missão dar conta da operação. Gilmar continuava o big-boss, Gerente Comercial. No dia seguinte, cedo – 6 horas – estávamos à postos. Esperamos tudo, mas não rolou nada das ameaças. Nossos caminhões saíram e assim iniciou a operação Coca Cola em nova logística, com todos os rigores de uma multinacional.

Na Coca Cola sai centenas de vezes com os motoristas e ajudantes, conhecendo as rotas e adaptando-as. O mesmo fiz com os pré-vendedores, e fomos ajustando tudo. Em pouco tempo, a operação corria muito bem. Treinamentos diversos eram rotina, focados no marketing, merchandising, vendas, comunicação. Fui sonhando com Atlanta, sede da multinacional. Chegaria lá? Não sabia, mas faria todo o esforço possível para chegar. Trabalhei nos mesmos moldes em Blumenau, Florianópolis, Curitiba. Treinei muita gente, aprendi muito com eles. Com a operação crescendo – atendíamos as cidades da região norte e nordeste também – a Coca Cola resolveu sair da rua Afonso Pena e ir para a rua Padre Kolb, onde hoje é o supermercado Giassi. Uma área enorme, para uma operação tão grande quanto.

Lá tínhamos melhor estrutura, e conheci um dos caras com o melhor traço artístico que já vi em pessoas comuns. Hoje ele é diretor de arte, mas na época fazia cartazes para os mercados, cuidava dos materiais promocionais, sozinho em uma sala. Gesiel Machado é o nome dele. Trocávamos ideias, e o incentivava a seguir uma carreira, via nele um artista. Até projetos de novos bares ele desenhava a partir dali. Hoje é um grande profissional. Nestes tempos de aprendizagem do melhor marketing da terra, participei também da organização de eventos com o merchandising Coca Cola no Festival de Dança de Joinville (SC), ajudando inclusive na conquista de patrocínio para este evento, afinal, nascido na minha cidade natal!

Aí aconteceu o desenlace que tornou Atlanta um lugar para visitar um dia, se desse. Gilmar e Padilha, agora mais aliados que nunca, decidiram que eu cuidaria da logística de entrega. Ou seja, cuidaria de cerca de 50 pessoas, começando pelas 6 da manhã e parando somente por volta da meia noite, na temporada de verão. Não era isso que eu queria. Fique muito chateado e desanimado, além de trabalhar ainda mais do que já trabalhava.

Minha então esposa estava grávida, e eu tinha comprado um apartamento na mesma rua, próximo da hoje Arena Joinville. Meus ganhos diminuiriam, entendi que me queriam fora, a dupla. Um dia fui para casa lá pelas uma hora da manhã, com um estresse danado. Adormeci.Acordei assustado. Tinha dormido quase 24 horas, e a empresa estava ligando direto. Decidi não fazer mais aquele horário extenuante, iria pro caixão se continuasse (rs). Passei a fazer o meu horário. Chegava às nove da manhã e saia as 19 horas. Era cobrado que não podia fazer isso, tinha que ficar, era minha responsabilidade, etc. Não cedi, e mais, saía para almoçar a minha hora e meia. Não aguentaram mais minha postura, e a demissão veio em cima do verão, era novembro de 1994. Gabriel, meu primeiro filho, nasceria em fevereiro de 1995.

Lá estava eu novamente em busca do meu espaço, lutando por um lugar que me respeitassem, valorizassem minha garra e talentos.Já morando no apartamento novo, com contas a pagar inclusive de condomínio, a coisa apertou. Minha esposa à época ainda dava aulas em um jardim de infância, segurou as pontas, mas contas venciam e não eram pagas. Comecei novamente a contatar meus amigos – network, nunca esqueçam de caprichar no seu! – e enviar currículos. Até este momento já tinha entrado três vezes em duas faculdades diferentes, sem terminar. Era formado em processamento de dados, um curso técnico. Começava a apertar cada vez mais a falta de um curso superior, que à época ainda não era tão importante para se conseguir empregos.

Mas eu queria mais, e continuava a ser um autodidata, marca pessoal minha. Tenho hoje uma biblioteca pessoal que supera os 600 livros, de consultoria à literatura. Nunca parei de estudar por mim mesmo, e ler, ler, ler, reler, aprender. Saí de uma multinacional para entrar em outra, a sua maior concorrente, Pepsi Cola. Mas isso eu conto na próxima vez, porque antes ainda fui vendedor de assinaturas de jornais e de publicidade em TV. É… pensa que é fácil construir a carreira é? Espera a próxima, outro aprendizado de ouro!

Por Salvador Neto

Baú de Memórias #6 – Mentores que me deram a base para o futuro

Quem já leu as crônicas anteriores sabe que houve pedras no caminho. Mas teve também boas presenças de gente que me ensinou horizontes, e até estenderam as mãos. Sou muito grato por tudo e por tanto que estes personagens que entraram em minha vida entre um trabalho e outro, fizeram para a minha formação profissional e pessoal. Bora ler?

Tenha bons mentores, professores que te elevem e indiquem o caminho
Dos tempos da Elmo Contabilidade e Meta Organização Contábil ficaram não só más lembranças. Ficaram aprendizados únicos, com mestres de primeira, e uma amizade pelo menos que dura até hoje. Um deles era o consultor Vladimir Akcelrud, se não escrevo o seu nome erradamente. O conheci na Elmo quando ele era contratado para criar um plano de carreira para a empresa. Como já contei, eu havia assumido a primeira chefia na vida lá, e me escolheram então para ser o executor do plano, já que Vladimir dava o caminho. Não entendia nada de recursos humanos, planos, etc.

Ele além de me orientar, indicou livros e outras pessoas para que eu buscasse embasamento. Um deles, outro mestre e amigo para a vida, foi o então gerente de treinamentos da Associação Empresarial de Joinville – ACIJ, o Ademir Machado, que depois viria a ser vereador por três mandatos, secretário municipal, entre outras coisas que contarei mais em outra crônica. Voltando ao Vladimir, com ele aprendi em conversas inclusive em sua casa, que para que as coisas acontecessem era preciso… delegar. Eu centralizava, queria entregar o trabalho, mas estava sobrecarregado.

Outra coisa que o consultor ensinou a este vivente foi que, palavras dele, quem trabalha demais não tem tempo para pensar. Quem pensa ganha dinheiro, quem não pensa, trabalha muito.Então, entreguei o plano de carreira. Aprendi a delegar, a pensar, a tratar as pessoas como elas merecem, e liderar. Vladimir Akcelrud, nunca esqueci e esquecerei. Por ele fui até o Ademir Machado na Acij. Chegando lá descobri que outro grande amigo de adolescência trabalhava com ele, o Edson Holler.

Ao longo de meses nós conversamos muito sobre treinamentos, cursos, e outras coisas. O que eu não sabia era que Ademir era uma liderança comunitária e política no bairro Fátima. Descobri isso quando ele, após voltar de uma viagem ao Uruguai, me chamou na Acij para perguntar o que eu achava de ele ser candidato a vereador. Já estávamos em 1992, antes do desastre societário que aconteceria na Meta no mesmo ano. “O que você acha disso?”, ele perguntou.Não tinha como opinar assim, e perguntei a ele que história era essa. Ademir então contou de sua trajetória comunitária no bairro, na igreja, e que o então deputado federal Luiz Henrique da Silveira o havia convidado para ser candidato pelo PMDB.

LHS enfrentaria o empresário Wittich Freitag, famoso por sua administração e também por impor à Luiz Henrique naquele ano a única derrota eleitoral do falecido líder político. Ouvindo tudo, achei bacana, agora que sabia das ligações que ele tinha. Outra coisa era que o então presidente da poderosa Acij era o empresário José Henrique Carneiro de Loyola, que depois seria vice de LHS e também senador. Apoiei o amigo, já que via que ele sabia o que estava fazendo.Ali iniciava a minha forte presença na política, nos bastidores, no apoio, organização, planejamento, estratégia, tudo o que você pode imaginar em termos de uma campanha politica, e depois, em cargos parlamentares e em executivos, iniciado pelo amigo Ademir Machado.

Mas, naquele ano de 1992, eu era um iniciante, sabia da política por ler, estudar. A partir dali eu conheci um partido político, os churrascos e rifas que arrecadavam dinheiro para bancar a campanha, e campanhas naqueles tempos. E conheci também o valor de uma mão estendida quando você está precisando muito de força e apoio.Ademir foi um dos que souberam logo da cisão, digamos assim, entre eu e os outros sócios da Meta que ele viu nascer. Ele fazia a sua campanha com um carro Passat creio, ou uma Belina, não lembro bem, e junto com ele o seu cumpadre Adelar Bittelbrun.

Acompanhei meio de longe, eis que no dia da apuração dos votos, tempos de papel, tudo à mão, ouço no rádio que tinha um desconhecido que havia surpreendido e sido eleito na última vaga reservada ao MDB. O nome dele? Ademir Machado, com 1526 votos creio. Pensei, vou até ele. A sede do MDB ficava na rua Visconde de Taunay, e chegando lá ele me recebeu feliz, contou tudo, e me fez um convite: um trabalho temporário na campanha, havia segundo turno entre Luiz Henrique e Freitag, e ele confiava tarefas a este então jovem para ajudar.O trabalho era simples. Controlar a entrega de materiais, passes de ônibus, atender os líderes das comunidades. Fizemos tudo certo, mas a vitória de Freitag frustrou, temporariamente, a turma do Manda Brasa.

Quatro anos depois, a política é isso, Freitag viria a apoiar LHS contra Eni Voltolini, e o deputado federal venceria para começar a sua trajetória histórica que o levou ao Governo do Estado por duas vezes e também ao Senado. Era outubro de 1992, e eu estava de bolsos vazios, e ainda na peleia jurídica para receber meus haveres justos da sociedade desfeita.Ademir Machado tomou posse em janeiro de 1993 para o seu primeiro mandato, e eu buscava um trabalho para manter a minha família, já que havia casado naquele ano. Ainda não tinha filhos, e ainda bem, morava em uma casa que fiz nos fundos da casa de minha mãe, dona Isolde na zona sul da cidade, bairro Floresta, onde nasci e cresci.

Tempos bicudos que segurei graças ao apoio dela, até que surge a chance de trabalho na empresa Vonpar Refrescos, indústria de refrigerantes que fabrica até hoje a famosa Coca-Cola. Passei por um criterioso processo seletivo para trabalhar em uma das operações mais instigantes no meio comercial. Em 1993 a Coca-Cola era vendida e entregue por duas empresas em Joinville: a Distribuidora Iririú e a Marbi Distribuidora.Havia um depósito da Catarinense Indústria de Bebidas que fora comprada pelo Grupo Vonpar-Coca Cola, e fica na rua Afonso Pena no bairro Bucarein. Lá comecei meu trabalho, um cargo com nome esquisito: representante de vendas.

As tarefas? Embriagar a mente com tudo que existisse de Coca Cola, no marketing, operações, e depois sair às ruas todos os dias com os motoristas vendedores – vendiam e entregavam, pronta entrega – e em um passo seguinte, sair sozinho com papel de cadastro e caneta para cadastrar todos os pontos possíveis de vendas de refrigerante.Começava ali a consolidação de uma carreira focada e alinhada à comunicação, marketing, vendas, relações públicas, estratégia, merchandising, de olho em ir embora para Atlanta, nos EUA. Só que não foi bem assim… Conto mais na próxima!

  • Por Salvador Neto

Lei Geral de Proteção de Dados – Saiba detalhes da lei para a sua vida e privacidade

O Senado aprovou, nesta quarta-feira (26/8), por unanimidade, a vigência imediata da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Os parlamentares derrubaram o artigo da Medida Provisória 959/2020, que adiava o início da validade para 31 de dezembro de 2020.

Assim, a lei terá vigência imediata, mas as multas serão aplicadas apenas a partir de 3 de agosto de 2021. A data original para o início das penalidades era 14 de agosto de 2020, dois anos após a sanção original da LGPD. O texto segue, agora, para sanção do presidente Jair Bolsonaro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), declarou a “prejudicialidade” do trecho após parlamentares argumentarem que o tema já foi deliberado pela Casa anteriormente e que foge do assunto originalmente tratado na MP, que define regras para bancos federais pagarem benefícios a trabalhadores durante a pandemia.

A decisão é considerada uma derrota para o governo, que apontava a pandemia como um fator para adiar o início da vigência da legislação.

A aprovação no Senado rendeu elogios de especialistas, mas reforça a pressão sobre o governo para a criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), agência que será responsável pela aplicação da lei e que tem instalação ainda indefinida. “É claro que a entrada em vigor da LGPD sem a ANPD não é cenário ideal, mas o Brasil perderia mais se a lei fosse prorrogada mais uma vez”, disse Bruno Bioni, fundador e professor do Data Privacy Brasil.

Entenda mais sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD)
A lei, de 2018, cria um marco legal para a proteção de informações pessoais de brasileiros, como nome, endereço, e-mail, idade, estado civil e situação patrimonial. A legislação é baseada em leis internacionais de proteção de dados e tem como principal inspiração as regras de privacidade recentemente estabelecidas na União Europeia (GDPR, na sigla em inglês).

Para uma empresa ter acesso a dados, será preciso o consentimento dos usuários para o fim específico de como as informações deverão ser usadas. A legislação também obriga que empresas ou órgãos públicos excluam os dados após o fim da relação com cada cliente.

Outra novidade é que a legislação obriga que empresas digam quais dados pessoais estão em sua posse quando isso for solicitado por brasileiros.

Para o advogado Mario Barros Filho, sócio do escritório BFAP Advogados, um dos pontos que deve gerar um grande debate jurídico é sobre as penalidades e sanções estabelecidas na nova lei. 

“Importante pontuar que as penalidades previstas na LGPD estão suspensas até agosto de 2021. Entretanto, a lei poderá ser evocada pelo Ministério Público, Procons e fundamento de decisões judiciais na discussão da responsabilidade das empresas em relação a coleta e análise de dados pessoais”, afirma.

As empresas que descumprirem a lei poderão ser autuadas e multadas em até 2% do seu faturamento bruto ou R$ 50 milhões por infração, além de poderem ser responsabilizadas no âmbito civil e criminal a depender do tipo de infração e dano provocado.

O advogado Marco Antonio Loschiavo Leme de Barros, consultor do escritório BFAP Advogados, ressalta que, apesar da importância da nova lei, está em aberto a criação da agência que fiscalizará a efetividade das novas regras.

“Importante conquista da sociedade, a vigência da LGPD vai contribuir para a efetivar as liberdades civis no Brasil, sobretudo agora no âmbito dos dados pessoais em destaque nas relações digitais em razão da pandemia. Capítulo ainda aberto é sobre a implementação da autoridade nacional, que deve ganhar novos contornos”, pontua.

Veja a seguir perguntas e respostas sobre a lei:


1 – O que é a LGPD? Quando entrou em vigor?

A Lei nº 13.709/2018, conhecida como Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD, entra em vigor em 27 de agosto de 2020. A vigência da LGPD – na esteira de recentes casos estrangeiros de sucesso – representa um significativo avanço na área de proteção de dados pessoais no Brasil. Esta lei geral integra o direito à proteção de dados e à privacidade a vários setores que impactam a nossa atividade diária: relação de consumo, relação de trabalho, relação econômica e junto ao Estado.

2 – Quais os novos direitos importantes desta nova lei para o cidadão?

Todos nós estamos conectados, sobretudo durante a pandemia que enfrentamos, e a maioria das atividades que você realiza diariamente online – seja os diferentes formulários e cadastros preenchidos, acessos a páginas e todas as outras tecnologias usadas – deixa para trás uma quantidade gigantesca de dados pessoais.

Certamente, para algumas empresas, coletar dados, analisar e vincular bancos de dados diferentes representa uma possibilidade econômica de aprender informações muito pessoais sobre você e obter detalhes sobre sua vida e a vida daqueles com quem você se importa, de forma que jamais teria pensado ou lembrado! Apenas para ilustrar, a possível publicação de fotos em redes sociais possibilita que programas de reconhecimento facial o encontrem, novamente, quando atravessar a rua. Diante dessa situação, você precisa de maior conhecimento e às vezes proteção jurídica.

Como titulares dos dados, agora você está ciente da importância da LGPD nas suas atividades diárias. Mas, como sempre, para efetivar e zelar por tais garantias, você não precisa apenas conhecer os direitos, mas também necessita reivindicá-los ativamente.

A LGPD inclui várias disposições para facilitar o exercício de seus direitos e receber proteção efetiva pelas autoridades nacionais de supervisão e pelo sistema judicial. Faça uso de seus direitos para provocar uma mudança no comportamento de controladores e processadores – a aplicação pública não pode fazer isso sozinha.

3 – Que dados estão protegidos pela LGPD?

Estão protegidos pela lei, por exemplos, os dados de identificação pessoal: nome, e-mail, CPF, telefone e endereço, entre outros, bem como dados identificáveis, ou seja, dados que mesmo que não identifiquem uma pessoa diretamente, possam revelar sua identidade quando cruzados com outros dados disponíveis.

E também os dados sensíveis: relacionados a condições de saúde, preferências religiosas, políticas, entre outros.

As empresas, agora, terão que tomar muito cuidado com o trânsito desses dados coletados. Estarão protegidos todos os dados de qualquer pessoa que passar por um ou vários dos seguintes procedimentos coleta, produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da informação, modificação, comunicação, transferência, difusão ou extração.

4 – A LGPD se aplica a todas empresas?

A nova lei se aplica a toda empresa de qualquer setor e tamanho que colete ou armazene dados pessoais. Por exemplo, qualquer loja comercial que pede o CPF para dar um desconto ou registrar na nota fiscal; os prédios e condomínios comerciais e residenciais que registram dados pessoais para a entrada de visitantes, entre outros setores da economia, por exemplo, saúde, sistema financeiro, construção civil e setor imobiliário, educação e pesquisa.

5 – O que acontece se uma empresa descumprir a lei?

As empresas que descumprirem a lei poderão ser autuadas e multadas em até 2% do seu faturamento bruto ou R$ 50 milhões por infração, além de poderem ser responsabilizadas no âmbito civil e criminal a depender do tipo de infração e dano provocado.

6 – Quem é o encarregado (Data Protection Officer) e qual é sua importância para a atividade empresarial?

O encarregado (Data Protection Officer – DPO) é um prestador de serviço, especializado no âmbito de proteção de dados pessoais e segurança da informação, que assegura conformidade legal e monitoramento dos tratamentos de dados dentro da empresa, sendo o principal canal de comunicação entre a empresa, os titulares dos dados e a autoridade administrativa.

As principais atuações do encarregado são aceitar reclamações e comunicações dos titulares, receber comunicações da autoridade nacional e adotar providências, bem como orientar funcionários e os contratados da empresa a respeito das práticas necessárias ao tratamento de dados pessoais.

A nomeação de um encarregado é fortemente recomendada quando as atividades empresariais consistem em operações de processamento que requerem monitoramento regular e sistemático dos titulares de dados em larga escala; sendo sugerido uma consulta em setores da economia que lidam diretamente com o consumidor.

  • com informações do Correio Braziliense e Ag. Senado

Baú de Memórias #5 – Meta, triunfo e rasteira

Chegamos à Meta, não meta no sentido de resultado final de um projeto, mas o empreendimento que deveria ter sido (minha cabeça à época) meu futuro e aposentadoria, afinal tinha total confiança nisso. Mas, a vida tem seus percalços… Vamos lá saber?

Meta, triunfo e rasteira
Naquele emprego na antiga Elmo Contabilidade criei várias amizades, aliás, uma marca e determinação minha, de vida: fazer amigos. Quando não dá, não dá né, mas a gente tem que tentar. Entre saídas para botecos para tomar uma gelada (umas), eis que um dos sócios do escritório propõe uma ideia. Vamos abrir o nosso escritório? Cada um aqui conhece de uma coisa, e eu não ganho o que mereço lá, só tenho uma pequena participação. Assim começou a conversa que levou à fundação da Meta Organização Contábil em 1991. A ideia era que ele sairia, faria uma saída amigável, e investiria, enquanto os outros três pagariam aos poucos a ele o valor para abrir a empresa.

Mas, como nada é assim tão simples… Planejamos tudo, muita conversa. Eu acertei o nome: Meta. Um cuidaria da contabilidade, outro da escrita fiscal, folha de pagamento, e eu seria o atendimento, marketing, essas coisas. Conforme o combinado, um a um todos foram saindo. O penúltimo foi o sócio, uma saída nem tão amigável. Eu, o mais ferradinho da turma (rs) fiquei até fevereiro de 1991. Antes, fui convidado pelo sócio majoritário, seu Carlos, a ser sócio… minoritário e cuidar de uma nova área, condomínios. Como sou leal, é outra marca da minha persona, fiquei com os colegas.

Alugamos uma sala no final da rua Max Colin, ao lado de um bar. Pensa. O nosso modelo de negócios seria inovador. Abriria das 7h às 19h sem fechar para almoço, tudo para dar tempo cliente de ser atendido – afinal, empreendedor tem vida corrida. Tudo certo, não fosse por um detalhe, cadê a grana? A saída do ex-sócio minoritário da Elmo não aconteceu como previsto, e a grana não apareceu… Corremos a um banco, tentativa final. E não é que o gerente acolheu nossa ideia e necessidade? Liberou a grana para pagar juros em 12 meses, e as parcelas a partir de 12 meses. Ueba! Compramos mesas, máquina de datilografia, de somar, etc. Lá nasceu a Meta, seria minha aposentadoria… seria.

Como todo negócio novo, tem dificuldades em ganhar espaço. Como demorava para ganharmos clientes e o faturamento gerar alguma renda para todos, um logo desistiu. Ficamos em três e seguimos. Fui um homem de marketing competente, patrocinamos até o famoso programa de rádio “Almoço à Brasileira”, e fomos ganhando clientes, sem baixar preços, ofertando atendimento de excelência. Quando conquistamos uma conta importante da área química, subimos de patamar. Mudamos de sala e fomos para uma casa na mesma rua, mas próximo da antiga Prefeitura de Joinville (SC). Um salto respeitável. De tanto estresse tive problemas estomacais sérios. Nossos almoços eram pão com bife e ovo, muito óleo, quase todo dia. Economia né. À noite, cerveja e cigarros. Só podia dar problema.

Resultados bons, mais clientes, resolvi casar no início de 1992. Terminamos 1991 com lucro legal, e dava para assumir um novo momento de vida. Os meus sócios foram testemunhas, fiz uma pequena casa de madeira com quatro cômodos atrás da casa onde morava com minha mãe e meu irmão. Eis que coisas estranhas começaram a acontecer na sociedade. Os outros dois sócios já não dialogavam, saíam a sós – aí já tinham namoradas dos dois trabalhando, e um funcionário que recebia mais que a gente…eheheh, normal – e eu seguia minha vida mais regrada, saía para almoçar normal, minha gastrite exigia. Aliás fui a um médico que me deu a maior lição de vida, e decidi seguir seus ensinamentos. Sem isso nem sei se ainda estaria por aqui, porque a coisa no estômago era terrível!

O Collor com o seu PC Farias já estava no caminho do impeachment – Brasilzão sendo Brasilzão né – e eis que um dia aparece um advogado e diz que precisa falar comigo. Achei estranho, mas fomos a uma sala reservada, nosso refeitório na verdade. Ele apresenta uma carta dos meus sócios com uma proposta – indecente – para que eu saísse da empresa. Fiquei chocado, sem palavras. Trabalhávamos a metros uns dos outros, nunca falávamos sobre isso. Este advogado – bem famoso na cidade até hoje em entidade de classe, sociedade centenária… – foi direto, frio. O valor escrito no papel era ridículo, baseado em capital social da empresa limitada que dava legalidade à nossa sociedade, mas não representava o valor real.

Saí imediatamente, atordoado. Não sabia para onde ir, o que fazer, era um garoto de 24 anos recém casado que acabara de ficar sem empresa, sem salários, e muitas contas a pagar. Meus sócios ficaram incomunicáveis. Durante dois dias pensei no que fazer. Decidir voltar à empresa, tinha que ter outra solução. Sentei à minha mesa que era a cara da coisa toda, quem chegasse falava comigo. Os agora ex-sócios sequer falaram comigo. Eu falei, até saio, mas sem golpes, quero o valor justo. Voltei no segundo dia. Toca o telefone, o advogado, aquele. Ameaça explícita de ou sai ou alguém sai contigo daí. E saia prá valer disse ele, com uma ameaça explícita de morte. Fiquei com receio da minha integridade física, estava lidando com bandidos.

Lembrei então de um policial civil que conheci nos tempos do bar do meu pai. Sempre o atendi lá, liguei e me disseram que ele estava na delegacia do bairro aonde a empresa ficava. Fui até ele, contei tudo. Ele ficou mais bravo que eu imaginava. Pediu para eu entrar na viatura com ele. Seguimos até a Meta, e ele disse: se você quiser, entramos lá, e eles te pagam hoje agora. Mostrou arma, distintivo… Pensei alguns segundos, e decidi não fazer algo que poderia me arrepender depois. O policial estava para tudo ou nada, vai que … Penso que tomei a melhor decisão. Voltamos à delegacia, fiz boletim de ocorrência de tudo. Busquei apoio de um advogado que cuidava de problemas do meu pai, o doutor Adauto, também famoso.

Ele ligou na minha frente ao advogado dos ex-sócios. Falou sobre regras da “loja”, etc. Pediram uma semana. Fizeram uma proposta bem melhor que a no papel meses antes. Recebi em três vezes. Usei para pagar a quem devia, dinheiro acabou. Desanimado, amedrontado ainda com as ameaças, vi Collor ser cassado, Itamar Franco assumir. Perdi também outra referência em minha vida, a dona Alcina Ribeiro, a Táta, a quem considero minha segunda mãe. A casa dela foi meu lar verdadeiro por muito tempo. Perdia então muitas coisas em poucos meses. Sonhos, projetos, todos ficaram no chão. Ficou em mim o espírito empreendedor, a tristeza da traição de amigos, e a certeza de que precisava continuar a remar.

** tinha muito ainda a contar deste episódio, mas daria um livro, e aqui não cabe. Foi um Natal triste aquele de 1992.

Por Salvador Neto

Baú de Memórias #4 – Um passo antes da Meta

Pois então, a saga continua! Afinal, já são mais de 35 anos trabalhando, alguma coisa a gente tinha que fazer não é? Vamos a mais um passo profissional na construção da marca deste que vos escreve. Bora então?

Um passo antes da Meta
Lá estava eu, naquele escritório de contabilidade em meio a papelada, e lendo o jornal do dia. Queria outra oportunidade, melhorar salário, essas coisas que nos movem. Já estava namorando, precisava mais grana no bolso. Encontrei então um anúncio de emprego: precisa-se de auxiliar de escrita fiscal. Seu Norberto Rudnick, então meu patrão, disse-me “vai guri”. Eu fui. Era na extinta Elmo Contabilidade. Fui entrevistado por um dos sócios minoritários – depois fomos sócios, mas aí é outra história… – e depois pelo majoritário. Fui contratado! O escritório funcionava em uma casa bem antiga, de esquina, no centro de Joinville (SC), minha cidade natal.

Meu espaço de trabalho ficava no andar de cima, em uma pequena sala. Trabalhávamos em três ali. Era outono de 1989, e naquele ano votaríamos pela primeira vez em 25 anos para Presidente da República. Os debates eram acalorados. Lula, Collor, Covas, Afif, Brizola, Freire, etc. Gostava já daquela efervescência política, lia e ouvia de tudo. O Brasil voltava aos poucos a se encontrar com a democracia, as liberdades, o direito à cidadania plena. Tinha a nova Constituição, essa mesma que sequer regulamentamos de verdade até hoje. A Constituição Cidadã.

Em meio a isso tudo, fui aprendendo a fazer escrituração fiscal mais complexa, IPI, ICMS, contabilidade por lucro real, e outras coisas. Talvez por ser dedicado à missão que me davam, os sócios me chamaram para um novo desafio: assumir a chefia de um setor. Fiquei surpreso, mas como é da minha personalidade, aceitei. Chamava-se “Expediente”. Ali era o primeiro atendimento ao cliente novo, e manutenção dos existentes. Produziamos contratos sociais, preenchiamos aquela papelada burocrática toda para envio à Junta Comercial, Receita Federal e Estadual, Prefeitura… Tempos em que tudo era na máquina de datilografia, muito papel, carbono para as cópias (que é isso?).

Eu fui líder de três colegas, dois mais novos e um veterano. Um era o contínuo, o outro o motorista que levava e buscava a documentação nos clientes (era vip o troço já) e a outra era a auxiliar de escritório, muito competente. Ali já inovei. Havia um computador de mesa, mesa inteira mesmo (rsrs), e ninguém usava. Por que? Por não saber como… Treinei todos. Passamos a atender muito mais rapidamente o novo cliente. Assim enquanto os atendiam no térreo, nós já produzíamos o contrato social e levávamos para assinaturas. Uma mudança e tanto para a época.

Naquela oportunidade de vida, que ainda não era o que eu desejava, conheci pessoas importantes para o futuro profissional que tive, criei amizades que duram até hoje, 30 anos depois. Eram tempos de um Salvador Neto fumante, atleta de futebol e futsal, que contava os centavos para algum almoço, e que recebia a marmita feita pela mãe Isolde e levada pelo irmão Zeny Júnior (saudosa memória) todos os dias de bicicleta.

Naquele ano que consegui o emprego (1989) perdi meu grande amigo, meu pai. Elegemos o nosso primeiro Presidente da República pelo voto direto, Fernando Collor de Mello (meu voto não foi dele tá). Ali naquele emprego inovei ainda muito mais processos, e conheci de perto Florianópolis, Junta Comercial, cresci muito como profissional e ser humano. Naquele ambiente brotou também o primeiro empreendimento que fiz parte como sócio: a Meta Organização Contábil. No próximo capítulo conto mais.

** nunca gostei de contabilidade…mas de gente, sim, atender, sim… (rs).

Por Salvador Neto

Baú de Memórias #3 – Tinha um banco no meio do caminho

Vamos a outro capítulo da minha trajetória, na verdade uma passagem meteórica e relevante pelo conteúdo. Vamos lá?

Tinha um banco no meio do caminho
No capítulo anterior eu esqueci um trabalho meteórico que tive, e pulei direto para o escritório do seu Norberto Rudnick. Perdão pessoal, mas é que foi uma passagem rápida como um cometa, e dolorosa como dor de dente (que comparação…?!). Graças a uns amigos do futsal, que aliás eu jogava bem, consegui um emprego no Banco Mercantil de São Paulo. Auxiliar de escritório. Este sim, foi o meu primeiro emprego com carteira assinada, mesmo que fugaz.

Meu trabalho lá era pegar uma listagem gigante impressa naquelas folhas listradas de verde e branco – formulário contínuo… – onde estavam em tamanho minúsculo, nomes e números de documentos de cobrança. Chato pacas. Todos os dias entrava às 8h e saía às 14 horas. Bancário né, no tempo que empregos em bancos eram um status legal. Hoje em dia é só digital, caixa eletrônico, e pouquíssimos bancários em relação àquela época.

Tinha de andar arrumadinho. Calça de tergal, alinhada com aqueles vincos sabe (não sabe), camisa social, sapato preto brilhosão, cinto, essas coisas. Cabelo, claro, cortadinho… Na época eu tinha para cortar, e usava até gel para manter os fios alinhados. Eram tempos de economia em crise (novidade no Brasil né), 1987. Minha passagem no Mercapaulo não durou três meses. Nem a experiência! Já conto.

Preguiçoso? Vadio? Nada disso… Naquela época greves eram o que mais aconteciam no país recém saído da ditadura. Governo Sarney, inflação tão alta que os preços mudavam três vezes por dia. O povo com salários achatados, reaprendendo a gritar por direitos, parava mesmo. Os bancários então, fechavam agências com facilidade. Faziam piquetes, ninguém entrava para trabalhar sem discussão, empurra-empurra.

Jovem, querendo agarrar aquele trabalho, o primeiro com carteira assinada, tentei entrar para trabalhar. No primeiro dia, nada. No segundo idem, terceiro… Uma semana de greve. Saíram os piquetes, as faixas, podíamos voltar a trabalhar. Voltei até feliz para os meus formulários recheados de títulos para cobrança e protestos. Até que chamaram o novato para uma conversa.

Entregaram aquele papel. Aviso de demissão porque não havia comparecido ao trabalho, participado da greve. Nem tinha sequer parado em frente aos piquetes do sindicato, mas recebi um carimbo, o de demissão. Ficou a lição do lado. Sim, em qual lado você está entre o capital e o trabalho. Aprendi mais uma lição para a vida, e do lado que escolhi estou até hoje. Há coisas que não podem mudar, não mudam.

Voltei mais politizado ao Bar do Zeny, à limpeza do balcão, da calçada, dos copos, bater caixa no estoque, manter as bebidas geladas e a produzir sorvetes. Até que no início de 1988 fui aprender mais da vida com o seu Norberto Rudnick. O resto desta história vocês já leram na história anterior… Até a próxima!

Por Salvador Neto

Baú de Memórias #2 – Com o professor Rudnick

Seguindo no compartilhamento de minha trajetória profissional, vamos ao segundo capítulo, meu primeiro trabalho com carteira assinada em um escritório de contabilidade, com um contador das antigas… Espero que curtam:

Com o professor Rudnick
Após meu primeiro trabalho no Bar do Zeny, meu pai, consegui um emprego formal, estes com carteira assinada que na época era um luxo – havia muito desemprego na década de 1980. Aliás, hoje isso também é real, infelizmente, e ainda querem acabar com os poucos direitos que os trabalhadores tem. Aliás, aí está um desejo permanente dos comandantes do capitalismo, nenhum direito e todo o trabalho com a mínima remuneração possível. Cada um por si. Eles, que tem tudo, não estão nem aí com o trabalhador comum. Mas, seguimos.

Era um trabalho como auxiliar de escritório em um contador autônomo, o seu Norberto Rudnick, de saudosa memória. Ele era uma figura. Alto, muito magro, cara sempre fechada. Fumava muito, bebia até café frio, era duro e seco. Ensinava uma vez só. Aprendi.

Faturamento, cobrança, emitir notas fiscais, lançar as notas e despesas nos livros contábeis, atender clientes (ele vivia saindo, bebia uns cubas, e dormia atrás dos arquivos em um pequeno sofá) quando ele estava “ausente”, e até fazer os contratos de abertura de empresas e toda a papelada burocrática a ser preenchida.

Eram tempos de máquina de escrever – datilografia, sacou? Não? Pesquisa no google aí (rs) – calculadora de mesa, de fita, papel carbono, lançamentos contábeis à mão. Naqueles tempos passei a ir semanalmente a Florianópolis para abrir as empresas junto à Junta Comercial do Estado. Ia pela manhã, e graças a minha desenvoltura com os servidores, conseguia trazer os contratos registrados. Os clientes adoravam, e seu Norberto também.

Assim o escritório Franco Contabilidade (era quem assinava, porque o Rudnick não tinha o curso de contador) ganhava clientes a mais, e eu aprendia ainda mais a ser um profissional. O salário era baixo, mas ideal para quem vinha de receber alguma coisa só se pedisse muito ao patrão, no caso, o meu pai. Seu Rudnick tinha uma obsessão na época, conseguir o credenciamento para ser despachante do Detran, fazer os documentos de carros, carteiras de motorista. Dava muita grana este serviço.

O lobby dos despachantes, forte até hoje, quase o impediu de ter o sonho concretizado. Antes de eu sair para um novo trabalho, ele venceu e teve a sua credencial. Ficou feliz como uma criança ganhando o seu presente. Com este professor aprendi muito, e o conhecimento que conquistei foi importante para novos desafios profissionais anos depois.

Por Salvador Neto

Atenção Candidatos e Partidos – Oficina “Funil do Voto” pode preparar seu time para as eleições

Atenção candidatos a cargos eletivos para este ano! A Salvador Neto Comunicação Estratégica está oferecendo uma oficina voltada especificamente para os candidatos, apoiadores, equipe e lideranças envolvidas. A Oficina “Funil do Voto” visa preparar o candidato e sua equipe de campanha para a batalha pelo voto do eleitor nas próximas eleições que, neste ano, se realizam em novembro. O instrutor e criador deste treinamento e capacitação de lideranças é o jornalista Salvador Neto, que já planejou, organizou, trabalhou e executou dezenas de campanhas eleitorais, de vereador à Presidência da República. Ele participa ativamente de eleições desde 1992.

Não existe uma boa campanha sem planejamento, organização e treinamento de equipe. O candidato pode ter carisma, preparo, mas sem estes itens pode ver seu sonho eleitoral e de vitória escorrer pelas mãos em erros básicos dos seus apoiadores, que vão desde o desconhecimento do perfil do líder político, passando pela mensagem que deseja transmitir, e a preparação do seu time para a batalha final que é o período eleitoral. Líderes partidários e presidentes de partidos precisam treinar seus candidatos e equipes, é um investimento perfeito para gerar ótimos resultados para o partido, seja em número de eleitos ou em imagem, passando até a conquista de uma Prefeitura ou Governo.

Salvador Neto destaca que o seu método da Oficina Funil do Voto é único e baseado no seu trabalho estratégico e executivo em campanhas eleitorais, e também em assessorias legislativas, parlamentares e no executivo. “Participei de todos os momentos de uma atividade política, e eleitoral. Criei marcas, produzi materiais gráficos, distribui, visitei, palestrei, organizei, gerenciei, prestei contas, assessorei comunicação, e em cada uma das etapas, aprendi muito e percebi que a maioria dos políticos e candidatos não se dão conta de que economizariam muito ao preparar seus times antes do jogo, que é o período eleitoral”.

Partidos políticos, candidatos e apoiadores podem contratar a Oficina Funil do Voto tanto presencialmente – com todos os cuidados dos protocolos de saúde devido à Covid-19 – como remotamente via internet. Preferivelmente turmas de até 15 pessoas por vez para garantir qualidade e produtividade aos trabalhos. Os valores podem ser negociados de acordo com a demanda de cada partido ou candidato. Atenção para o curto período existente para o início real da campanha, e a agenda do instrutor.

Para contratação da Oficina Funil do Voto, faça contato via WhatsApp ou Telegram (48) 99144-3970, ou ainda por email – imprensa@salvadorneto.com.br.